Quero entender quando foi que perdemos a fé na nossa força, na nossa importância, na nossa capacidade de agir e transformar.
Digo isso porque em mais de 20 anos de Jornal, percebemos uma certa dispersão, um distanciamento entre os vizinhos, uma indiferença com o outro, um adormecimento no espírito de comunidade.
Isso é muito triste, porque deixa cair no esquecimento as conquistas passadas e enfraquece as lutas futuras.
Talvez muitos acreditem que não temos mais pelo que lutar; que já temos tudo; que se dentro de nossos lares as coisas estiverem indo bem, o resto não importa. Mas a realidade não é um conto de fadas.
Não importa quanto custou o seu carro, ele ainda precisará passar pelas ruas esburacadas.
Não importa o quanto você tente se proteger, a violência urbana um dia pode chegar à sua família. Se o seu vizinho tiver dificuldades, isso impacta você, querendo ou não.
Neste mês pudemos comemorar grandes vitórias com a união da comunidade nas votações do Fala Curitiba. Já é um bom começo, mas tenho que ao menos tentar despertar nossa vizinhança para algumas questões importantes.
A política começa na comunidade
A política não é feita somente pelos políticos. A política começa dentro das vilas, dos bairros, das escolas, das unidades de saúde, das igrejas. São nesses locais de convivência que as necessidades surgem e as reivindicações nascem. São nesses ambientes que a política comunitária começa.
O grande problema é quando alguns locais são tomados por indivíduos com interesses pessoais, e não coletivos.
Há anos vemos um fenômeno em que associações de moradores, conselhos de segurança e de saúde, ONGs e demais instituições que deveriam lutar pelo bem coletivo estão tomadas por presidentes que se auto-intitulam lideranças, que fraudam eleições e que, quando conseguem o cargo, param de fazer reuniões públicas. Isso já é um sintoma do que está por vir.
Esses cargos são usados como trampolim político.
O interesse real não é trabalhar pela comunidade. A pessoa entra como presidente de uma entidade do bairro, e sem fazer nada efetivo já logo se candidata a vereador, deputado, ou apóia um candidato. Dá até para entender esse comportamento, afinal, se conseguir, essa pessoa vai ganhar muito dinheiro.
O problema é que a entidade que deveria representar a população local fica sequestrada por interesses pessoais e não funciona adequadamente.
Quem realmente trabalha pela comunidade?
Vamos fazer um exercício?
Quantos presidentes de instituições viram candidatos?
O que eles fizeram de efetivo?
São do tipo que só falam ou realmente agem?
Aproveitam a dor da comunidade para emplacar uma candidatura? Pense nisso.
Quando esse indivíduo se candidata, mesmo que não consiga se eleger, dependendo do partido político ao qual ele se aliou, vai conseguir um cargo público, pago com nosso dinheiro. Será que ele vai trabalhar por nós? Ou vai puxar o saco do patrão para não perder a mamata?
A população, quando está organizada, consegue feitos extraordinários.
Precisamos resgatar esse poder que amedronta os políticos. Precisamos reconhecer os líderes que realmente se doam pelas causas do bairro. Existem pessoas boas, tentando fazer o que é certo e bom para a região, mas precisamos prestar atenção aos que só almejam vantagens pessoais.
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