Nas eleições de 2026, mais de 1 mil pessoas no Paraná – exatas 1.090, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – disputam o voto do eleitorado no estado.
Elas são candidatas aos cargos de governador(a) e vice, senador(a) e suplente, deputado(a) federal e estadual.
Tais candidaturas disputam também, em seus respectivos partidos, fatia do Fundo Eleitoral.
De acordo com o TSE, nas eleições deste ano os 30 partidos do Brasil têm R$ 4,9 bilhões à disposição do Fundo Eleitoral. Esse montante é distribuído entre as legendas conforme o número de votos e de representantes obtidos por elas na eleição de 2022.
Ou seja, os maiores partidos recebem mais. O PL (Partido Liberal) é a sigla com maior verba desse fundo público: R$ 881,7 milhões.
Em seguida, está o PT (Partido dos Trabalhadores), com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil (antigo PFL e Democratas), com cerca de R$ 526,2 milhões. Os dados são do site do TSE.
Dentro dos partidos, as legendas estabelecem seus mecanismos de repartição desse dinheiro, atendendo a critérios do TSE.
Por exemplo: 30% dos recursos devem ser destinados às candidaturas femininas às Assembleias Legislativas e à Câmara dos Deputados, o que nem sempre é cumprido pelas legendas.
Na prática, acaba recebendo mais recursos do Fundo Eleitoral candidaturas de maior renome, ou de pessoas com maior influência ou poder dentro das legendas.
Não é à toa que você veja tantas bandeiras, adesivos e propagandas de uns candidatos, e de outros menos, de alguns tão pouco ou nada.
O Fundo Eleitoral é uma das duas fontes de financiamento dos partidos políticos no Brasil. A outra é o chamado Fundo Partidário.
Este é repassado mensalmente, independentemente de ser ano eleitoral ou não. Sua função é assegurar a manutenção dos partidos políticos no país.
Apesar de não serem bem vistos pela sociedade, os fundos são necessários. Afinal, democracia pressupõe, entre outros pontos, a existência de partidos políticos e processos eleitorais. Tudo isso tem custo.
O financiamento público substitui o financiamento privado, que deixa partidos e políticos atrelados ao poder econômico.
O funcionamento dos fundos é que precisa ser revisto. Também seus montantes, e sua distribuição entre as legendas (e dentro das legendas).
O modelo tem privilegiado partidos maiores e seus líderes partidários, sufocando o surgimento de nomes, impedindo uma participação mais orgânica, e menos clientelista, nos processos eleitorais.
Os vícios do modelo não podem ser utilizados para a demonização ou negação da política. Nem para se considerar ela, a política, como algo nefasto, por natureza.
Não. É desse discurso que se beneficiam aventureiros e aqueles que fazem da política algo ruim. Porque estes, assim, conseguem afastar os bem-intencionados, a participação e mobilização popular.
MAIS INFORMAÇÕES:
As principais regras das eleições 2026
Sobre Fundo Eleitoral e Fundo Partidário
A lista dos 30 partidos no Brasil
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