Os recursos que vão para educação, saúde, previdência social, segurança, transporte, entre tantos outros serviços para a sociedade, não são suficientes diante das necessidades
O tamanho do orçamento público
Só o Orçamento da União (isto é, do governo federal) para 2026 passa dos R$ 6 trilhões. Quantia inimaginável, não é?
Se incluirmos nessa conta o orçamento das 27 unidades da federação (estados e distrito federal) e ainda dos 5.570 municípios de todo o Brasil, essas cifras são incalculavelmente ainda maiores.
De onde vem tanto dinheiro?
Para que tanto dinheiro? De onde vem e para onde vai tanto dinheiro?
Respondendo à primeira pergunta: é preciso todo esse dinheiro porque manter a sociedade em funcionamento, com um mínimo de bem-estar social, custa muito. E, diante de tantas desigualdades e injustiças sociais, o custo é ainda maior. Adiante comentamos um pouco mais sobre isso.
De onde vem o dinheiro? Vem do que a mesma sociedade produz, nas suas mais diversas atividades econômicas. E uma parte do que a sociedade produz vai para o pagamento de tributos (impostos, taxas, contribuições).
É da arrecadação desses tributos que as três esferas de governo existentes no Brasil – federal, estadual e municipal – tiram o dinheiro para custear o funcionamento da sociedade. Mais ou menos um terço do que a sociedade produz é revertido em tributos (é esse o peso da carga tributária brasileira sobre o Produto Interno Bruto, PIB).
Para onde vai o dinheiro público?
Agora, respondendo à terceira pergunta, sobre o destino desse dinheiro. É nesse ponto que está um dos maiores problemas da sociedade brasileira.
Afinal, de todo o Orçamento da União, mais de 40% (em 2025, foram 42,2%) está indo para o “pagamento de juros e amortizações da dívida pública”, segundo o movimento Auditoria Cidadã da Dívida.
Pagamento de juros e amortizações da dívida é uma expressão complicada que, na prática, tem se traduzido assim: é o dinheiro que o governo gasta com o mercado financeiro – bancos e outras instituições que aplicam seu dinheiro em títulos da dívida pública, porque sabem que são rentáveis (juros altos fixados pelo Banco Central) e não há calote (afinal, o montante fica assegurado no orçamento de cada ano).
Falta de transparência e impacto social
Há dois problemões aí: um, é que não há transparência sobre o valor dessa dívida, nem sobre quem está recebendo esse dinheiro todo. O movimento Auditoria da Dívida Cidadã pede justamente isso, uma auditoria.
Outro problema é que, com essa fatia enorme do orçamento destinada ao mercado financeiro, sobra só pouco mais da metade do dinheiro para custear os serviços para todo o conjunto da sociedade.
O sociólogo Jessé Souza, autor de diversos estudos e livros sobre a sociedade e a política brasileira, costuma chamar isso de a maior de todas as corrupções do Brasil, com um agravante: é uma corrupção oficializada, e camuflada.
Não há denúncias, nem da mídia nem de quase ninguém, dessa prática sanguessuga de recursos do país.
Menos recursos para serviços essenciais
Acaba sobrando pouco para saúde, educação, seguridade social (aposentadorias, pensões, benefício de prestação continuada, bolsa família), transporte, segurança, cultura, esportes, ciência e tecnologia, meio ambiente, obras de infraestrutura, entre tantos outros serviços e investimentos.
Sim, pouco: enquanto o mercado financeiro fica com 40%, saúde, educação, assistência social e previdência, somadas, alcançam menos de 30%.
Um alerta necessário
Ou seja, fica muito difícil ao povo ter educação, saúde, segurança, assistência social, aposentadorias dignas, entre outros direitos e serviços, se a maior fatia do bolo do orçamento não está indo para a sociedade, sim para os rentistas da Faria Lima (nome da avenida em São Paulo onde se concentra boa parte do mercado financeiro nacional).
Quando ouvirmos falar em teto de gastos, ajuste fiscal, ajuste nas contas públicas, redobremos o alerta.
Porque quase sempre esse discurso nunca fala em cortar gastos do pagamento dos juros da dívida pública, só da previdência, saúde, educação e outros serviços.
👉 Para saber mais sobre esse tema, a sugestão é https://auditoriacidada.org.br/
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