A tendência é ser cada vez mais difícil identificar o que é mentira e o que é verdade; para este ano, preocupação maior é com uso indevido nas eleições.
De um lado, sistemas de inteligência artificial cada vez mais sofisticados. De outro, ausência de regulação legal e ética para o uso dessas ferramentas. Temos então uma combinação explosiva, cujo resultado são efeitos perversos.
Ainda mais para a nossa realidade, a brasileira, em um ano como o de 2026, quando teremos eleições decisivas para os rumos da nação. Como separar o joio do trigo, ou seja, saber o que é mentira e o que é verdade?
As fake news, os discursos de ódio e outras barbaridades já vêm dominando o cenário há mais de uma década, pelas redes sociais digitais. O caos se agrava com a inteligência artificial sendo capaz de gerar voz, imagens e vídeos mais próximos ainda da realidade.
Existem plataformas e sistemas para verificar se um determinado conteúdo é feito ou não por inteligência artificial. Algumas delas: AI Content Detector, CopyLeaks, Cramly, Smodin e ZeroGPT.
No entanto, diante do bombardeio de mensagens que nos chegam por WhatsApp, da infinidade de postagens que aparecem para a gente no Instagram, no Facebook, no TikTok, não temos condições de ficar checando uma por uma, não é mesmo?
Regulação e Big Techs
Por isso é fundamental sim haver uma regulação nesse setor. A pressão das big techs (como são chamadas as mega corporações que desenvolvem aplicativos, plataformas e outras ferramentas digitais) é grande para que os países não regulamentem nada, porque elas ganham dinheiro, muito dinheiro, com essa bagunça toda.
Especificamente para deixar o debate político menos contaminado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve divulgar, em março, novas regras para o uso de inteligência artificial em materiais de campanha, das eleições deste ano. Deverá ser uma atualização, com mais rigor, de normativas que valeram para as eleições passadas, em 2024.
Nas eleições daquele ano, qualquer conteúdo feito com inteligência artificial tinha de conter esse aviso. O TSE também foi exigente com as big techs, exigindo retirada de conteúdos e derrubada de perfis que disseminaram mentiras. Não, não é censura. É combate à ilegalidade.
Contudo, essas determinações alcançam materiais e campanhas oficiais. Quem age no submundo da internet não está nem aí para o regramento. Pelo contrário, está ali justamente para disseminar mentiras, ofensas, calúnias, discriminações, preconceitos, racismo, xenofobia. E a tendência é a gente se deparar com conteúdos desse tipo.
Como não cair nessas armadilhas?
Primeiro, desconfiando. E, desconfiando, evitando curtir, compartilhar logo de cara, antes de checar. Para checar, dá um trabalhinho sim, porque é preciso pesquisar sobre o tema, e verificar seus resultados, que são muitos.
Se não tiver tempo, condições de fazer isso ou tiver preguiça, melhor então não repassar o conteúdo. Se fez e conseguiu confirmar ser verdade, tudo bem, pode compartilhar. Se constatou que é mentira, não passe adiante, para não ser corresponsável pelo envio de material falso, mentiroso, calunioso.
Vale pontuar que o problema não está na tecnologia, na ferramenta em si. Está no uso que é dado, está no fato de o controle da inteligência artificial e outras inovações se concentrar nas mãos de poucos e super poderosos grupos econômicos, que por esse poder todo interferem na política, na sociedade.
Dica de leitura
Caso queira saber mais sobre o tema, uma dica é o livro “Jornalismo e Inteligência Artificial”, de Orlando Maurício de Carvalho Berti, publicado pela editora da Universidade Estadual do Piauí, e disponível gratuitamente pela internet, em https://editora.uespi.br/.
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