Administrador da Regional Tatuquara detalha obras e prioridades para 2026 em entrevista
Entrevista aborda saúde, educação, mobilidade, habitação e projetos estruturais para Tatuquara, Campo de Santana e Caximba
No último dia 26 de fevereiro, a equipe do Jornal Caderno do Bairro entrevistou o Administrador da Regional Tatuquara, Marcelo Ferraz Cesar, para tratar das obras previstas para 2026, demandas do Fala Curitiba e projetos estruturais da região.

Alguns temas mais complexos, que dependem de respostas do IPPUC, serão detalhados nas próximas edições, como o alargamento da Rua Ângelo Tozim, a construção da ponte no final da via, rotatórias na Antônio Zanon, ampliação do Terminal Tatuquara, Unidade de Saúde Janaína e abertura de ligação entre Moradias Santana e Boa Esperança.
A seguir, os principais pontos da entrevista.
CORPO DE BOMBEIROS
Jornal: Como está a questão da instalação do Corpo de Bombeiros no bairro?
Marcelo: O terreno para implantação do Corpo de Bombeiros foi doado pelo município ao Governo do Estado, e está localizado quase em frente à Unidade de Saúde Dom Bosco.
UNIDADE DE SAÚDE CAXIMBA E CMEI CAXIMBA
Jornal: Quais as últimas informações sobre a Unidade de Saúde Caximba?
Marcelo: A nova US Caximba vai ser quase uma UPA, vai ser uma unidade bem estruturada lá. Será construída na esquina da Delegado Bruno de Almeida com a Francisca Beraldi Paolini, que vai lá para Araucária. Do lado da escola Joana Raksa. A unidade de saúde velha vai ser desativada e dará frente pra gente poder ampliar o CMEI que está atrás da unidade hoje.
Jornal: Vai ter o CMEI antigo ainda e mais uma creche ou vai unir em um CMEI só?
Marcelo: Provavelmente com questão de qualidade, eu acho que junta. Mas eles vão definir o projeto, vão retirar a unidade (de saúde) de lá, porque aquela casa da unidade não se aproveita, é uma casa velha. Daí tem que tirar, raspar, fazer a topografia pra definir o projeto, ver se vai ter corte de terreno ou não, porque ali tem um aclive. Isso a gente não tem como precisar antes de fazer esses estudos.
APARTAMENTOS DA COHAB NO CAXIMBA
Jornal: Os novos apartamentos da Cohab anunciados pelo prefeito serão construídos nessa área ou em outro local da região?
Marcelo: Não é naquela esquina. É um pouquinho indo mais ao sul pela Delegado Bruno de Almeida. Depois do CRAS Caximba, não na Francisca Beraldi Paolini.
Jornal: E quantos apartamentos são?
Marcelo: São cerca de 500.
CRAS CAXIMBA

(Escritório Local do Caximba) Foto: Daniel Castellano / SMCS
Jornal: Quais são as novidades em relação ao CRAS Caximba?
Marcelo: A Casa ELO (Escritório Local do Caximba) depois vai ser modificada para receber o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), que vai ficar também mais amplo. Ele vai ser transferido. Porque hoje a Casa ELO é o nosso QG do Bairro Novo da Caximba. Depois que a gente entregar toda a obra, ela perde a função, aí o CRAS vai para lá.
ENTREGA DE CASAS BAIRRO NOVO DA CAXIMBA

no Bairro Novo da Caximba. Foto: Foto: Hully Paiva/SECOM
Jornal: Primeiro vão ser entregues o restante dos imóveis pra depois iniciarem as outra obras?
Marcelo: A gente está para entregar mais 160 casas no Caximba, que vai ser nesse mês de março. A cada dois meses a gente está fazendo uma entrega substancial de casas. Por que agora entrou naquela linha de produção rápida. A gente sempre brinca: assim como o Bairro Novo da Caximba começou lá em 2017, o que demora são os tijolos de papel, que é a burocracia… Estudos, levantamentos, licenciamentos, obtenção do recurso, aprovação no Senado, que era um empréstimo internacional…, depois disso foi um divisor de águas. Quando a gente teve o recurso e os projetos todos já aptos pra licitá-los, daí foi tranquilo. Agora é mais o tijolo e o cerâmico que são mais fáceis de acompanhar.
DIQUE, PARQUE LINEAR E OBRAS DE INFRAESTRUTURA
Jornal: Será que esse ano já começam as obras do dique e do parque linear no Bairro Novo da Caximba ?
Marcelo: Isso não é questão orçamentária, é questão física de frente de obra. A gente só consegue mexer na recuperação ambiental, no dique, depois de transferir todas aquelas famílias lá debaixo. Não tem como a gente fazer obra onde tem gente morando. Daí a gente consegue dar continuidade à macrodrenagem, que já ocorre.
Então, já tem grandes estruturas de macrodrenagem, que inclusive evitaram que essas chuvas dessem os alagamentos que deram há três anos. Então, já está funcionando.
O dique é que nem na Holanda, nos países baixos. Ele vai resguardar essa parte da recorrência de chuvas, principalmente das chuvas de 20, 50 anos, que são as mais perigosas. O dique protege, permite que a bacia do rio Barigui alague, e essa é a função de um parque esponja. Deu aquela chuva de recorrência de 20 anos, a água vai vir até o dique, vai encher tudo, vai subir, e vai descer de maneira lenta.
Porque também a ideia do parque, até com essas lagoas de amortização, é que a água desça lentamente, para a gente não transferir esse problema para o município de Araucária, que está adjacente de Curitiba. Porque imagina toda essa água depois também descer, vai alagar Araucária, Balsa Nova, Porto Amazonas, e lá para frente.
Então, isso aqui é uma engenharia hídrica complexa, mas que foi preconizada e vai funcionar com certeza, como é o Barigui hoje, que tem essa função.
Para as chuvas de recorrência anual, o dique não é necessário.
Jornal: A conclusão do dique e do parque linear vai levar mais quanto tempo?
Marcelo: Eu acredito que dois anos. Se não der nenhuma intercorrência, é dois anos.
Jornal: Já começaram as obras nas ruas lá também, né? Na parte de rede de esgoto…
Marcelo: Sim, tanto a Sanepar quanto a Copel já estão entrando, a Sanepar já está mais avançada, a Copel também está começando ali.
Jornal: E essa parte vai ser mais rápida agora? Essa parte de asfalto?
Marcelo: Sim, essa parte fica bem tranquila. E não é asfalto, né, vai ter um pouco de piso mais permeável também, tem outras alternativas ambientais juntas.
TELHADO DOS APARTAMENTOS DO CAXIMBA
Jornal: Em alguns desses apartamentos que foram entregues, do Bairro Novo da Caximba, entrou água pelo telhado. O que a prefeitura está fazendo em relação a isso?
Marcelo: Sim, verdade. O que foi verificado: um ou outro caso, realmente, a gente notificou a construtora. Alguns casos foram falta de manutenção.
O que causou as goteiras foi o entupimento das calhas pelos galhos que vieram das araucárias, devido à ventania que aconteceu na semana anterior. Com a chuva, a calha entope e transborda.
Isso foi uma coisa que nos pegou meio de surpresa, e a gente começou a fazer um trabalho junto com os moradores da responsabilidade também de manutenção do seu próprio imóvel, tanto com relação à grama, quanto da caixa d’água, do telhado, como a gente faz com as nossas casas. Mas foi feita a correção e foi feita a limpeza.
AMPLIAÇÃO DA UPA TATUQUARA

votadas no Fala Curitiba 2025. Foto: Levy Ferreira/SECOM
Jornal: Ampliação e melhoria da estrutura física da UPA Tatuquara, entrou no Fala Curitiba.
Marcelo: Essa foi agora nessa última edição (2025). Não é uma coisa difícil, tá? Com certeza não vai demorar. Foi até o mais votado, com 177 votos. Não é uma coisa complexa, acho que vai ser tranquilo.
DEMAIS APROVAÇÕES NO FALA CURITIBA
Jornal: Tem uma questão aprovada no Fala Curitiba que achei bem genérica: a ampliação de vagas em escolas e construção de novas escolas. Daí eu me pergunto, tá? Aonde? Ninguém falou nada…
Marcelo: Esse é um problema que inclusive nessa reformulação do Fala Curitiba foi sanado, né? Porque quando é genérico, você faz lá no Boa Vista e diz que tá atendido… Então, agora, quando você vai preencher aquele formulário do Fala Curitiba, tem que colocar uma referência de localização, seja a rua, um referencial próximo pra gente saber… Porque às vezes a pessoa fala: Queria que reformasse aqui a escola, e esquece de colocar o local.
Jornal: Outra coisa que ficou talvez um pouco genérica aqui é a ampliação do número de vagas para crianças de 0 a 3 anos da rede municipal do ensino, preferencialmente no Moradias Janaína e Rio Bonito. Vocês tem ideia de como fazer isso? Seria com o Vale Creche?
Marcelo: O Vale Creche a gente dispõe, mas no nosso território não funciona muito, porque não tem privado.
Jornal: Não tem tanta escola, né? Tanta escolinha.
Marcelo: Exatamente, é diferente de outras regionais, que você consegue dar o subsídio. Hoje o nosso maior problema, os dois maiores, são a educação e a saúde, mas é mais educação. O que está vindo de gente pro Tatuquara… A gente vai entregar, por exemplo, os apartamentos do Theo Aterino, que são para 240 famílias.
ENTREGA DE APARTAMENTOS DO THEO ATERINO

Jornal: Então, e será que agora, sai? Eu ia perguntar isso no final, porque essa obra, ela já tá…
Marcelo: Em março vai ser feita a entrega dos 240 apartamentos. É uma obra assim que nunca vi, tava encantada. Tudo que tinha que ter acontecido, aconteceu naquela obra. Ela tá pronta, a gente recebeu umas famílias aqui há duas semanas, elas já foram vistoriar cada uma a sua unidade lá dentro, então a gente já sabe quem vai ficar em cada unidade, em cada apartamento, então tá bem certinho.
Mas já está apto pra entrega e também tanto a FAS, quanto a Educação, quanto a Saúde, já receberam a lista pra também fazer orientação dos equipamentos que vão atender essas famílias.
QUADRA POLIESPORTIVA
Jornal: Existia um projeto para a construção de uma quadra poliesportiva que ia ser aqui do lado, o que houve?
Marcelo: Aqui ao lado do terminal. Ela foi licitada, só que a gente cancelou a licitação por um problema maior, que é: a gente vai ter que ampliar o terminal.
Isso (da quadra Poliesportiva) não foi demanda popular e nem caiu no Fala Curitiba. Qual era a ideia: dentro da visão das ruas da cidadania, todas elas tem a sua quadra coberta, só que se tornou mais eminente, devido ao grande crescimento da cidade, a gente resolver o problema da mobilidade.
Entendeu-se que era melhor cancelar essa licitação, então existe ainda uma ideia de fazê-lo aqui na frente também. Ainda não morreu a ideia. Mas a gente pensa um pouco ainda se essa demanda é realmente tão necessária, até por que a gente tem bastante… A gente tem aqui a Monteiro Lobato, que também vai ser revitalizada, tem a da Praça Soldado Wagner, agora que também foi feita toda a cancha sintética nova, com alambrado, ali do lado do ginásio.
Aqui a gente tem um pouquinho de problema com a UPA, porque o que sofrem lá no Pinheirinho… Então, o pessoal reclama lá do barulho, quando estão jogando, que não é compatível com o setor de seguimento médico.
Jornal: Nossa, e lá no Pinheirinho é até longe, né?
Marcelo: É até longe, mas reclamam. Então, claro, a gente tem essa alternativa, mas eu confesso que não é uma prioridade nossa agora. Até porque, não foi aclamação popular, a gente tinha apenas uma ideia do IPPUC de padronizar todas as ruas da cidadania, mas se viu mais urgente a gente resolver o problema do transporte, porque sem a gente fazer a ampliação desse terminal, a gente não consegue resolver o problema das linhas.
AMPLIAÇÃO DO TERMINAL TATUQUARA

Grande, além de alimentadores Foto: Ricardo Marajó/SECOM
Jornal: Pois é… e o Terminal?
Marcelo: Hoje a gente não tem plataforma suficiente. E qual é a ideia da URBS? Todas essas linhas que estão ao sul do nosso terminal virarem alimentadores, por exemplo, a Juliana, Caximba, Tupi, Rurbana, serão linhas alimentadoras até o terminal, e do terminal eles saem com linhas de transporte de massa, ou seja, com capacidade para pegar, seja o troncal da Linha Verde, ou o CIC, daí com transporte rápido de maior capacidade de passageiro. Isso otimiza tanto a qualidade e a velocidade do transporte, quanto também o custo.
Claro que todo mundo quer que seu ônibus saia da frente da sua casa e vá até a Rui Barbosa. Isso é impossível, né? Ia virar um novelo lá.
A gente realmente tem que fazer essas centralidades regionalizadas, no caso aqui do Tatuquara é uma, como no Pinheirinho é uma gigantesca, a maior que a gente tem hoje, e de lá vem com linhas de transporte de capacidade daí para as outras regiões mais centrais.
Jornal: E em relação a essa ampliação, quais linhas mais você acha que eles vão tentar implantar, além de uma maior que talvez leve em massa a população para o Centro?
Marcelo: Então, a ideia é trazer todas as linhas alimentadores para cá, tem também uma demanda de uma linha circular Tatuquara.
Jornal: Que eu já ia perguntar também.
LINHA CIRCULAR TATUQUARA
Marcelo: Então, essa também está no pincel por causa do terminal. Que não tem espaço para parar, esse é o problema. A questão do ônibus, parece que a gente precisa de uma linha tal, mas envolve duas coisas, o terminal e o sistema viário. A gente tendo a ponte e o alargamento da rua Ângelo Tozim, consegue já fazer uma alternativa de ligação de transporte coletivo Rio Bonito, Rurbana, né? Sem precisar entrar hoje pelo Boa Esperança, aquelas ruas complicadas.
Então, é a macro mobilidade. A gente acertar essas vias, para que a gente consiga fazer principalmente os giros dos carros, que hoje os ônibus não estão vindo com carros simples mais. Aumentou a população. A gente está usando já os ônibus articulados. (…)
É bem complicado, transporte coletivo exige, além da plataforma do terminal, as correções viárias, ou seja, geométrica, que é a largura da via, você faz a curva, ou seja, estrutural, que é física, leito, subleito também. Então, não adianta começar a colocar ônibus de grande capacidade e peso em vias que não comportam.
ABERTURA DE RUA PARA O JARDIM SANTANA
Jornal: Tem uma questão que já é antiga dos moradores do Jardim Santana, que eles abriram aquela rua irregular, daí estavam usando, então a prefeitura foi e fechou, depois não sei como está, se abriram de volta. (Ligação entre Boa Esperança I e Moradias Santana)
Marcelo: Abriram de volta, tá aberta.
Jornal: E o que pode ser feito ali?
Marcelo: Então, a solução à longo prazo é a Conectora 0, a Conectora Sul, que vai ajudando a fazer essa ligação. Mas, eu vou ter uma conversa agora com o IPPUC, para ver se eles conseguem fazer uma alternativa.
Jornal: Seria ótimo ter uma alternativa, porque o povo tem que dar uma volta imensa, pra vir pra cá (Regional, UPA, Terminal)
Marcelo: Aqui dá 800 metros, pra lá dá 3 quilômetros…
OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO
Jornal: Tem alguma rua ainda sem asfaltar, aqui na região?
Marcelo: Tem, tem, mas é bem pouquinho, são tocos de ruas, assim, ajuste fino, sabe? Fechamento de malha. Umas travessinhas.
Jornal: E vai ser feito?
Marcelo: Vai ser feito, mas como são pontos que não são alta prioridade, estão fazendo nas outras regionais. Aqui a gente foi muito bem agraciado, né? Foram muitas ruas. Só ali no Rio Bonito, foram 11 quilômetros. Lá no Janaína, foi todo asfaltado, 11 ruas, não tinha nada de asfalto.
Além dessas perguntas, também foram abordados outros temas. Acompanhe nas próximas edições do Jornal Caderno do Bairro as devolutivas sobre outros assuntos importantes para a região.
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