Cresci ouvindo que jogos faziam mal ou que eram um passatempo dispensável. O fim dos anos 90 foi marcado pelo lançamento e popularização de aparelhos de videogame. A primeira década dos anos 2000 viu o aumento do uso da internet (chamada de banda larga) e com ela o surgimento dos jogos online pelo computador.
De lá pra cá, a tecnologia permitiu rodar jogos também nos celulares e Tvs.
Jogos e escolha profissional
A respeito do problema que os jogos causariam para os jovens, há que se fazer um contraponto. Começo por dizer que parte da dificuldade na escolha profissional de um adolescente de 17 anos se dá pela soma de duas variáveis: a grande quantidade de opções (comparado ao que se tinha no passado) e a pouca experimentação de situações que o enriqueçam e auxiliem na seleção. Essa faixa etária vive cada vez mais em casa, com menos literatura, menos filmes e menos séries.
Se a escolha profissional precisa guardar relação com o gosto pessoal, talvez os jogos ainda possam preencher essa lacuna. A ideia é que os jogos supram ao menos uma necessidade psicológica importante: a experimentação imaginativa e o acesso a um mundo de fantasia que permita ao jogador extrapolar seus limites do mundo real, mesmo sem sair de casa.
Influência dos jogos nas escolhas
Nesse contexto, vi muitos casos em que indivíduos que gostavam de jogos de construção se encaminharam para essa área de atuação, administradores competentes que adoravam jogos de simulação, policiais apaixonados que amavam títulos de ação militar e assim por diante.
Desenvolvimento de habilidades
Convém citar outros benefícios, como o desenvolvimento ou refinamento de habilidades como memória, percepção, atenção e raciocínio lógico.
Faço também uma menção honrosa aos jogos de tabuleiro modernos, que além de permitirem o exercício da imaginação ativa, favorecem habilidades sociais ao juntar pessoas em torno de uma mesa, algo que as telas individuais raramente oferecem.
Usos pedagógicos e clínicos
Há ainda usos pedagógicos e clínicos: no desenvolvimento infantil, na reabilitação cognitiva e no cuidado com idosos.
Para os pais e responsáveis que estejam acostumados com um viés mais negativo a respeito dos jogos, convido a olhar para as crianças e jovens ao seu redor.
Quais são os títulos que lhes chamam a atenção?
Conseguem identificar benefícios nesse exercício?
Reconhecem pela semelhança dos jogos alguma categoria de interesse maior?
Já jogaram juntos?
Conversaram sobre o assunto?
A quem se dedicar a essas questões, desejo boas descobertas.
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