Em 2022, a OMS incluiu oficialmente um conjunto de problemas ansiosos e depressivos oriundos de fenômenos ocupacionais na lista de doenças do CID (Classificação Internacional de Doenças).
A Síndrome de Burnout é uma afetação psicológica que pode provocar esgotamento físico e mental, alteração de humor, insônia, redução da eficácia profissional e dificuldades de concentração.
Há variáveis que podem ser fatores de risco para esse transtorno, divididos, grosso modo, em dois conjuntos: externos e internos. Evoluímos na última década no reconhecimento de características externas consideradas de risco.
O aumento do uso da palavra “tóxico” é um exemplo disso. Deixou de significar apenas o efeito de um componente químico nocivo à saúde e passou a ser utilizado metaforicamente em contextos sociais.
Hoje, conseguimos identificar toxicidade no ambiente de trabalho, na dinâmica com um chefe e até no relacionamento com colegas ou clientes. Mas essa dinâmica existe por fatores que vêm antes e são externos ao trabalho.
A maior pressão por resultados, o culto à produtividade e a valorização do dinheiro como objeto de desejo são elementos-chave na crise de saúde mental que enfrentamos.
Se, por um lado, nosso senso crítico para identificar esses ambientes está mais apurado, por outro, nossa capacidade de autopercepção ainda precisa se fortalecer.
No que é interno, ou seja, na forma como nos vinculamos ao trabalho, há um campo vasto a ser desenvolvido. Cito um afeto pouco lembrado: a culpa. Ela é um dos conflitos subjetivos mais conhecidos.
Algumas motivações são clássicas e atravessam a história da humanidade. Culpas por guerras ou transgressões religiosas estão entre as mais antigas.
Mas, como tudo que é humano se renova, encontramos hoje a culpa por descansar.
Ela passa despercebida, sentida como incômodo ou inadequação. Surge de uma intenção boa, um heroísmo de custo muito alto. O trabalho sempre teve importante valorização social, ele é fonte de uma boa parte de elementos de nossa identidade.
Acaba sendo a fonte primordial de autoestima e está no centro de nosso senso de valor, o que favorece nossa fidelidade a ele. Há uma lógica nisso: trabalhar é nobre, trabalhar bem traz bem-estar e reconhecimento, trabalhar muito e muito bem promove sucesso e dinheiro.
Assim, nos tornamos fiéis aos nossos papéis profissionais, que acabam nos moldando. Mas o ajuste justo do descanso (mental e físico) fica de lado.
A culpa por descansar é o preço do heroísmo: embora necessário, o descanso arruinará a competência. No mundo onde ganha mais quem faz mais, descansar — ato de amor próprio — passa a ser encarado como algo errado. Lidar com isso envolve treino de autopercepção e mudanças no estilo de vida.
Permitir encontrar valor em outros lugares e atividades também pode ajudar.
Você já sentiu culpa por descansar?
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