Quanto tempo cabe na diferença de gerações entre você e seu(sua) filho(a) pré-adolescente ou adolescente?
Não é difícil notar a já grande e crescente diferença que uma ou duas décadas representam na maneira de ver o mundo.
Os relatos de jovens de 10 a 18 anos são parecidos; “meus pais me perguntam se estou bem e quando eu lhes digo que não e tento explicar o motivo, recebo uma bronca por ser mal agradecido(a)”.
Os lamentos de pais e filhos refletem uma verdade; os modos de sofrer mudam a cada geração. Para além desse complicador existe também a dificuldade de escutarmos uns aos outros e de sermos compreensivos.
Entender a existência dessa diferença é fundamental. Em segundo lugar, aceitá-la implica ser capaz de ouvir o lamento sem acusá-lo pelo simples fato de existir.
Não faz muito tempo que a felicidade se tornou uma espécie de obrigação. Mesmo os adultos que não foram criados nesse pano de fundo estão mais ansiosos por verem seus filhos felizes a todo custo.
O espanto não é raro; “como assim você não está bem? Você tem tudo, não sabe o que é sofrer”. Claro, é possível que esses pais batalharam e continuam não medindo esforços para dar aos filhos um conforto que eventualmente eles mesmos não tiveram.
Há quem afirme que algum tipo de drama sempre existiu para cada nova geração, que os pais e mães de hoje também foram acusados de alguma forma por seus próprios pais, como se a diferença tivesse sempre que ser condenatória.
É claro, o que faz com que essa diferença seja, de fato, mais significativa é que as transformações culturais e tecnológicas nunca estiveram tão aceleradas. As novas gerações são formadas a partir desse caldo e contam também com uma capacidade adaptativa muito maior.
Uma pista para entender esse drama cíclico e que ainda nos serve bem é que, em geral, os jovens estão quase sempre interessados em se diferenciar um pouco dos pais e estes costumam desejar ver os seus filhos realizando seus projetos antigos.
Uma prova disso pode ser o estranhamento e o incômodo de pais quando ouvem “quero ser Youtuber”.
Uma consequência negativa que as famílias enfrentam é um distanciamento que pode ficar ainda maior, por mera incompreensão. Sem entender e aceitar a diferença de tempo que forjou os pais em relação aos filhos, não há condição de encontro nenhum.
Um ponto crítico muito comum é a constatação de que o drama não está sendo compartilhado; os filhos se resignam; “quando me perguntam se estou bem, digo que sim, eles não vão entender se eu contar a verdade”. Nessa altura a relação começa a ficar distante e opaca, fecham-se as portas e diminuem-se as chances de encontro possíveis.
Por fim, um fato: uma diferença demasiadamente acentuada de gerações tem lá suas dificuldades, mas elas não são mais difíceis que a indiferença.






















