“Tudo que é humano não me é estranho”. É uma frase de Terêncio, um escritor que viveu no século II antes de Cristo.
Gosto dela porque me prepara para encarar toda beleza e feiura do mundo como resultados possíveis e esperados do fenômeno humano. Tenho verdadeira curiosidade por pessoas e pelas relações que elas estabelecem.
Me encanto também em como podemos evoluir dentro das relações que escolhemos. Bons vínculos duradouros costumam ser verdadeiras pílulas de cura e são ferramentas de autodesenvolvimento poderosas.
Os conflitos fazem parte das relações humanas
Mas se relacionar bem dá trabalho, muito! Aprendemos a conviver copiando padrões, por tentativa e erro, sem manual, sem apostila e quase sempre sem professor. Mas não me iludo: não tem como ser muito diferente disso.
Todo relacionamento humano prevê ruídos, conflitos e disputas, são traços naturais e não há como eliminar. E é por isso que, quase sempre, uma briga ou um desentendimento, quer seja de casal, entre amigos ou familiares, pode ser entendido a partir de um impulso muito comum: a necessidade de estar certo ou, no mínimo, de ser compreendido.
Algumas emoções potencializam essa necessidade: se estamos com raiva, por exemplo, nosso organismo pode reagir ao proteger nosso argumento como se ele fosse nos valer a defesa da própria vida, e evolutivamente falando isso é bastante verdadeiro.
Nossos ancestrais precisavam analisar o mundo ao redor e decidir por ficar do lado certo das coisas, ao menos dentro daquilo que acreditavam no próprio sistema de compreensão (o tal do ponto de vista). Essa sensação de estar certo trazia confiança necessária e poupava energia do cérebro para as outras necessidades de sobrevivência.
Muito desse padrão ainda está presente nas relações sociais, mesmo que nossos objetivos não sejam mais a sobrevivência. Essas características nos estimulam a perseguir metas egoístas e muitas de nossas brigas mais quentes têm ainda como pano de fundo um jogo de papéis de ganhar e perder.
Se é verdade que depois de uma noite de sono isso tende a passar, também é verdade que para muita gente a vontade de estar certo costuma durar mais do que deveria.
Ter razão ou resolver o conflito?
Mas vencer a disputa e resolver o conflito são coisas diferentes! Numa relação afetiva saber argumentar, ter raciocínio rápido, ser frio e falar mais alto são ferramentas ruins e prejudiciais.
De frente para quem amamos vamos preferir o exercício da escuta, da compreensão, da paciência e do desejo mútuo de resolver o conflito e prosperar. Talvez seja um longo caminho, mas é bom começar por dizer que “estar certo” não tem valor real, não é uma condição verdadeiramente vitoriosa em nenhum sentido.
“Você prefere ter razão ou ser feliz?”. Frase de autor desconhecido que também carrego comigo.
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