Pergunto-me se há alguém que ainda não tenha ouvido falar em Inteligência Artificial.
Noto com curiosidade que os chatbots de IA promovem um efeito de fascínio no usuário, ao mesmo tempo que parece haver uma certa vergonha em admitir seu uso.
De minha parte, não sei quando isso ainda deve durar, mas gosto de conservar uma vaidade por não usar para escrever (nem para revisar os erros de meu português ruim), e por deixá-lo de fora de meu trabalho clínico.
Apesar disso, já explorei inúmeras outras soluções, a maioria delas por curiosidade, como fazer aplicativos para diversas necessidades e pesquisas mais profundas.
Experimentei na pele o tamanho da sedução que ela é capaz de provocar e o quanto seu uso pode ser viciante por causar uma estranha sensação de possuir superpoderes.
Não sou o único a sentir isso, mas enquanto o mundo acompanha a rápida evolução dos modelos e discute quais caminhos tomar para frear seu desenvolvimento potencialmente perigoso, nós mal percebemos a evolução da nossa própria relação com eles.
Se antes as percepções mais otimistas sobre essa relação era a de compreendê-los como ferramentas (tal como um martelo que facilita a tarefa), hoje esses martelos parecem trabalhar sozinhos e passam a estar em toda parte.
É nesse ponto que residem os superpoderes e a sedução que citei: o cérebro gosta de encontrar respostas e se satisfaz mesmo quando ela não veio por “esforço próprio”, é como se ele sentisse que a IA fosse uma extensão de suas próprias capacidades.
Por muitas vezes, enquanto testava essas ferramentas, tive a inusitada sensação de que eu estava sendo muito inteligente (quando na verdade estava com meus próprios motores cognitivos desligados).
Para uma criança, os efeitos disso podem ser ainda mais intensos.
Cada vez mais ouço delas a frase “pesquisa no chat”, surgindo como se fosse uma grande ideia e uma solução para todas as horas e problemas que surgem.
O espanto não é tanto pela quantidade, mas pelo tempo; ao menor sinal de esforço cognitivo a opção de pesquisar surge e interrompe um processo de estímulo que é extremamente fundamental.
Ele vem substituindo desde a tarefa escolar até lembrar um nome, fazer uma conta simples ou decidir entre 2 ideias.
E para essas crianças que começaram desde cedo a usar as facilidades de um chat o tempo todo sem que sintam que lhes falta algo, convencê-las de que isso é prejudicial a seu desenvolvimento é genuinamente difícil.
Por essas razões, fazer uma moderação adulta ou retardar o uso dessas facilidades pode garantir um desenvolvimento mais saudável aos pequenos em idade escolar.
Por Lucas Grabarski
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